top of page

Sobre o medo e a fobia

  • Foto do escritor: Manoela Nascimento
    Manoela Nascimento
  • 1 de jun. de 2023
  • 5 min de leitura

Atualizado: 24 de jul. de 2025


A fobia é uma situação assinalada por um medo permanente de algum objeto, circunstância, animal ou ação que não representa riscos reais à inteireza física ou moral da pessoa. Como principais sintomas estão a taquicardia, sensação de pavor, sudorese excessiva, dificuldade para respirar.


No momento em que é identificada e diagnosticada, a fobia precisa ser tratada para impedir grandes implicações para a saúde psíquica e física da pessoa. Para tanto, há muitos tratamentos psicoterápicos que auxiliam o paciente a eliminar traumas e equilibrar as próprias emoções.


Pessoa recolhida em uma posição de medo mostrando o quanto essa emoção pode nos paralisar, além das dores que a fobia pode causar.

Medo x Fobia


É importante destacar que há diferença entre o medo e a fobia. O medo é um estado emocional que auxilia os seres humanos a se protegerem. Ao analisar os povos ancestrais observava-se que eles precisavam se proteger dos predadores e isso causava a sensação de medo. Assim, através de estudos científicos, foi possível reconhecer que no decorrer do estado evolutivo da humanidade esta sensação foi sendo passada adiante através dos genes.


Na sociedade contemporânea, nosso impulso de proteção ainda tem um papel fundamental para manter a nossa segurança. Assim sendo, os medos cumprem o papel instintivo de proteger e de manter o ser humano vivo. O medo é um sentimento natural e necessário, pois, se não houvesse essa característica, nos colocaríamos em situações de grande risco.


Quando esse sentimento ultrapassa esta finalidade de proteger e causa uma privação de situações as quais sente-se prazer em participar e ainda se torna permanente, ele demanda um cuidado para melhoraria da qualidade de vida, pois trata-se de uma fobia.


A fobia não é um aspecto positivo tampouco natural já que não faz parte do processo evolutivo dos humanos, ela nada mais é que um entrave no desenvolvimento pessoal.

As fobias são classificadas como uma doença mental e um dos vários tipos de transtorno de ansiedade. Pessoas com fobias habitualmente costumam modificar a sua rotina, o seu objetivo para desviar do seu medo. Quando não consegue desviar desse confronto o sujeito passa por momentos de estresse emocional, mental e físico. Algumas pessoas chegam a experienciar um ataque do pânico.


Enquanto os medos nos preservam, mantendo-nos resguardados contra malefícios, as fobias têm o potencial de interferir de maneira negativa na predisposição do portador de levar uma vida saudável e pensar de maneira lógica.

Em geral, as fobias são estimuladas por um evento traumático, originário da infância ou da adolescência, enquanto o medo tende a ser inato.


As fobias podem ser listadas em três grandes tipos:


Agorafobia


A agorafobia é caracterizada pelo medo intenso de estar em lugares ou situações das quais a pessoa teme não conseguir escapar ou obter ajuda em caso de uma crise de ansiedade ou pânico. Pessoas com agorafobia podem evitar espaços abertos, multidões, elevador, transportes públicos, locais desconhecidos ou situações em que se sintam presas. Essa fobia pode limitar severamente a vida da pessoa, causando isolamento e dificuldade em realizar atividades cotidianas.


De uma forma exemplificada, pessoas com esse tipo de fobia sentem-se bastante inseguras e ansiosas em recintos como espetáculos, centros comerciais, cinemas, principalmente se encontram alguma dificuldade em sair desse ambiente. Em casos mais graves, uma pessoa com agorafobia pode desenvolver o medo absurdo de sair de casa.


Fobias específicas


As fobias específicas são caracterizadas por medos irracionais e intensos de objetos, animais, situações ou ambientes específicos. Alguns exemplos comuns incluem medo de voar, medo de altura, medo de aranhas, medo de agulhas, medo de lugares fechados. As pessoas que sofrem de fobias específicas podem experimentar ansiedade extrema, ataques de pânico e evitar completamente as situações ou objetos temidos.


Esta fobia produz o medo exagerado de algo, que em grande parte das vezes trata-se de uma condição segura. Quem sofre de fobias específicas tem consciência da irracionalidade do seu medo, entretanto o enfrentamento de tal situação gera um pânico acentuado.


É na fobia específica que se enquadram as fobias clássicas, como: ablutofobia (medo de tomar banho); acluofobia (medo do escuro ou da escuridão); acrofobia (medo de altura); aerofobia (medo de avião ou medo de voar); amaxofobia (medo de dirigir); aracnofobia (medo de aranhas); bacteriofobia (medo de bactérias); catoptrofobia (medo de espelhos); claustrofobia (medo de lugares fechados); coulrofobia (medo irracional de palhaços); dismorfofobia (medo de deformidades); electrofobia (medo da eletricidade); farmacofobia (medo de tomar remédios); gamofobia (medo de casar); hedonofobia (medo de sentir prazer); hidrofobia (medo da água); megalofobia (medo de coisas grandes); neofobia (medo de qualquer coisa nova); tripofobia (medo de furos ou buracos aglomerados); zoofobia (medo de animais peçonhentos e outros tipos de animais).


Fobia social


A fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social, é caracterizada pelo medo intenso e persistente de situações sociais ou de desempenho em que a pessoa teme ser julgada, humilhada ou constrangida pelos outros. Pessoas com fobia social geralmente têm medo de falar em público, participar de reuniões, conhecer novas pessoas ou realizar atividades sociais. Esses medos podem interferir significativamente na vida cotidiana e nas relações interpessoais.


Este é um dos tipos mais comuns de fobias e está relacionado com a baixa autoestima, com sentimento de inferioridade. É comumente diagnosticado em pessoas com traumas mais graves podendo se extender até a Síndrome do Pânico. Em muitos casos, esta fobia pode levar ao consumo de drogas ilícitas e de álcool.


O que alimenta esse sentimento?


O medo é um sentimento indispensável já que dependemos dele para sobrevivermos. Imagine o que seria de nós, seres humanos, sem ele! Esta emoção aciona o nosso inconsciente sobre como reagir diante de uma situação ameaçadora de forma real ou imaginária.


Analisar sobre o efeito do medo significa pensar sobre a nossa própria vida. Esta sensação está entrelaçada com a essência da sobrevivência e, com certeza, seríamos mais felizes se os gatilhos que acionam estas emoções fossem removidos, porém não seria possível viver desta forma. Perderíamos completamente a noção dos perigos reais.


É preciso aprender a conviver com o medo, ter consciência, identificar e aceitar esses sentimentos para podermos administrá-los, caso contrário ele nos limita, trava a nossa caminhada, nos domina. Tudo isso causa muita dor, especialmente quando o medo não se explica.


Mas o que alimenta esse sentimento? Como está associado à memória, pode ser estimulado por uma situação traumática, um acontecimento recorrente ou algo que nos foi ensinado que em muitos casos estão no inconsciente. Assim, o medo é alimentado por crenças que precisam ter suas origens identificadas para serem ressignificadas.


Quantas vezes esta emoção te paralisou, te impediu de fazer uma escolha, causou sentimentos de inferioridade, inviabilizou a realização de um sonho? Tudo isso causa dor!


De acordo com a Psicanálise, as fobias se desenvolvem a partir de experiências traumáticas ou situações que causaram ansiedade intensa no passado, geralmente durante a infância. Essas experiências são então reprimidas no inconsciente, tornando-se inacessíveis à consciência. No entanto, mesmo que a pessoa não se lembre conscientemente do evento traumático, os sentimentos e a ansiedade associados a ele permanecem presentes.


Para a abordagem psicanalítica, o tratamento das fobias envolve uma exploração profunda do inconsciente, a fim de trazer à tona os conflitos reprimidos e trabalhar na resolução desses conteúdos. Esse trabalho tornará consciente o conteúdo inconsciente e proporcionará um ambiente seguro para que o paciente possa confrontar e elaborar as emoções associadas às experiências traumáticas reprimidas, permitindo a superação da fobia.


Partilhar essa dor é de grande valia para confrontar o medo e contribui de forma positiva para a aceitação e, principalmente, para a superação. A Psicanálise é uma ferramenta bastante eficaz para trabalhar os medos ao resgatar na sua história situações impactantes que ativam estas sensações.

 
 
bottom of page